A educação atual vive um momento de contradição: nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, ainda enfrentamos grandes dificuldades na formação de alunos verdadeiramente críticos. Muitos professores percebem isso no cotidiano da sala de aula. Os estudantes até reproduzem conteúdos, mas encontram dificuldades em refletir, argumentar e compreender de forma mais profunda aquilo que aprendem.
É nesse cenário que surge a proposta da Periocritica como eixo estruturante da formação crítica. A ideia central é simples, mas ao mesmo tempo profundamente transformadora. O pensamento crítico não pode ser algo eventual ou espontâneo. Ele precisa ser organizado, sistematizado e recorrente dentro do processo pedagógico.
Ao longo do artigo, é discutido um ponto fundamental. Mesmo abordagens importantes, como as metodologias ativas e a pedagogia crítica, muitas vezes não garantem que a reflexão aconteça de forma contínua. O aluno participa, discute e interage, mas isso nem sempre se transforma em um processo consistente de construção crítica.
A Periocritica propõe superar essa limitação ao estruturar o ensino em ciclos reflexivos periódicos. Nesse processo, o aluno não apenas entra em contato com o conteúdo, mas é levado a revisitar, questionar e reconstruir suas próprias ideias. Essa repetição organizada da reflexão fortalece o desenvolvimento da autonomia intelectual e da consciência crítica.
Outro aspecto importante é que essa proposta não rompe com autores clássicos da educação, mas dialoga diretamente com eles. A influência de Paulo Freire aparece na valorização do diálogo e da consciência crítica. Dewey contribui com a ideia da aprendizagem pela experiência. Habermas reforça a importância da construção do pensamento por meio da comunicação e da argumentação. A Periocritica, nesse sentido, atua como uma forma de organizar e potencializar esses fundamentos dentro da prática pedagógica.
Para o professor, o impacto dessa abordagem é significativo. Ela oferece um caminho mais estruturado para promover o pensamento crítico em sala de aula, evitando que a reflexão fique restrita a momentos isolados. Para o aluno, o resultado é uma formação mais sólida, com maior capacidade de análise, posicionamento e participação social.
Mais do que uma metodologia, a Periocritica se apresenta como uma forma de reorganizar o próprio processo de ensinar e aprender, colocando a reflexão no centro da experiência educativa. Em um contexto marcado por excesso de informações e desafios sociais complexos, essa proposta se mostra especialmente relevante.
Este texto é um convite para que professores e pesquisadores repensem suas práticas e considerem o potencial de uma reflexão sistematizada como elemento fundamental da formação crítica.
Ler o artigo completo:
https://www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/amazonida/article/view/17951