Por que opinião não é argumento?

Vivemos em um tempo em que opinar se tornou fácil demais.

Basta sentir, reagir ou repetir algo que já foi ouvido. Em poucos segundos, qualquer pessoa consegue dizer o que pensa sobre qualquer assunto. No entanto, essa facilidade trouxe um efeito silencioso e preocupante: a confusão entre opinião e argumento.

Na escola, essa confusão aparece todos os dias.

O estudante diz: “eu acho isso errado”.
Ou então: “pra mim isso está certo”.

E muitas vezes isso é aceito como suficiente.

Mas não é.

Opinar não exige esforço. Argumentar exige.

A opinião nasce pronta. O argumento precisa ser construído.

Enquanto a opinião se sustenta apenas na vontade de falar, o argumento se sustenta na necessidade de explicar. Ele exige que o sujeito organize o pensamento, estabeleça relações, considere consequências e, principalmente, se responsabilize pelo que diz.

É nesse ponto que a diferença se torna decisiva.

Quando o estudante apenas opina, ele permanece no nível do senso comum.
Quando ele argumenta, ele começa a pensar.

E pensar, de fato, não é automático.

A escola, muitas vezes, acredita que promover o debate já é suficiente para formar sujeitos críticos. No entanto, sem mediação, o debate pode se transformar apenas em um espaço de repetição de opiniões, onde cada um fala, mas poucos refletem.

O problema não está no fato de o estudante ter uma opinião — isso é importante e necessário. O problema está em parar nela.

Sem argumentação, a opinião não evolui.
Sem reflexão, o pensamento não se transforma.

É por isso que ensinar a argumentar é uma tarefa essencial da educação.

Argumentar não é “vencer uma discussão”.
Argumentar é compreender melhor aquilo que se diz.

É aprender que uma ideia pode ser questionada, reformulada, aprofundada.
É perceber que toda fala tem impacto — e que falar também é agir.

Nesse sentido, a formação crítica não começa quando o aluno fala.
Começa quando ele precisa explicar por que falou.

E talvez esse seja um dos maiores desafios da escola contemporânea:

não ensinar apenas os alunos a se expressarem,
mas ensiná-los a sustentar o que expressam.

Porque, no fim das contas, a diferença é simples — e ao mesmo tempo profunda:

todo mundo tem opinião.
Mas nem todo mundo sabe pensar sobre ela.

Autor
Gladison Luciano Perosini
Professor de Língua Portuguesa, mestre em Sociologia Política e doutorando em Educação. Desenvolve pesquisas na área de pensamento crítico, linguagem e práticas pedagógicas dialógicas, sendo criador da Metodologia Periocrítica Dialógica.

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